NOTÍCIASClube Desportivo Xico Andebol – “Não podemos desistir, muito menos parar”
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Clube Desportivo Xico Andebol – “Não podemos desistir, muito menos parar”

Clube Desportivo Xico Andebol – “Não podemos desistir, muito menos parar”


Clube vimaranense criou uma metodologia para que os atletas continuem a actividade física, em casa, após ter sido um dos primeiros a suspender os treinos devido à pandemia.


Com o intuito de manter a actividade física de uma forma regular dos atletas, o Clube Desportivo Xico Andebol desenvolveu uma metodologia para que os atletas possam continuar a realizar os treinos em casa e a serem devidamente acompanhados. Mauro Fernandes, vice-presidente do clube, explicou como é que tem funcionado este acompanhamento diário dos atletas e revelou ainda, em entrevista, em que é que consiste este programa que envolve toda a estrutura do clube e que surge como uma resposta à situação provocada pelo novo Coronavírus.


Os atletas continuam a treinar regularmente. Como é que conseguem mantê-los motivados, sendo que eles não sabem se vão ter ainda competição este ano?


“Nós temos um histórico que nos leva a esta situação. Este ano montámos tudo e definimos uma estratégia, começámos a criar os primeiros procedimentos e a ver resultados excelentes. Portanto, os miúdos neste momento sabem que há um trabalho que estavam a começar a desenvolver, estavam a ganhar forma física e viam o desempenho a melhorar. De alguma forma isso funciona como a primeira motivação. Manter a forma física adquirida até aqui. E depois tem tudo a ver com as tecnologias, às quais eles estão muito abertos e bastante aptos à utilização, com os materiais que nós estamos a conceder e com a forma como estamos a conceber, acabando por atraí-los ao treino.”

 


Metodologia


O Clube Desportivo Xico Andebol desenvolveu, há um ano, um sistema de informação adequado quer à gestão desportiva, quer à gestão de eventos ou financeira do clube. Recentemente foi introduzido um controlo, por parte dos treinadores das rotinas à assiduidade do atleta, o registo dos treinos, o calendário anual e os jogos todos registados antecipadamente.


“O que nós fizemos foi, com base em plataformas open source ou gratuitas, começar a produzir imediatamente materiais, vídeos que já existem ou elaborados por nós. O nosso preparador físico tem, neste momento, 40 vídeos de níveis diferentes para os diferentes escalões, com demonstração dos exercícios e como esses devem ser feitos. As plataformas que nós usamos e que estão disponíveis são o suporte, em vídeo, para o trabalho em casa. Complementamos com o recurso a mais duas aplicações, como a Adidas Training que agora está disponível gratuitamente durante 90 dias, e os treinadores sentem-se bastante apoiados na ferramenta com o conhecimento que têm. É também bastante atrativo para os miúdos porque eles podem instalar a própria aplicação, todos eles pontuam, fazem likes aos exercícios uns dos outros, competem entre eles para fazer mais pontos, criando alguma motivação. Temos também uma rotina semanal de um treino conjunto em videoconferência, em que o nosso preparador físico faz uma aula em direto para todos os atletas do clube e ainda um desafio semanal que é proposto aos atletas e o vencedor tem sempre o privilégio ou de escolher o treino seguinte, ou definir um dia de folga, ou seja, é uma motivação extra.

Com que frequência acontecem esses treinos?
“Há equipas que estavam em patamares mais avançados em termos de preparação e que estão a realizar treinos bidiários. Nota-se uma grande evolução no ponto de vista do trabalho de esforço e da coordenação, que é outra grande motivação para os atletas. Todo o tempo que tinham para a outra componente que agora, infelizmente, não têm, que é a do jogo e do andebol propriamente dito, é transformado nestas duas componentes.”

 

Ponto de vista dos treinadores

Existe uma troca de informação, em formato vídeo, entre os atletas e os treinadores para que estes possam ter uma melhor noção da execução do exercício e corrigir eventuais falhas.

“Todos os atletas têm a indicação para registar os treinos em vídeo, desde que este método começou, há cerca de três semanas. Nós tínhamos acesso a percentagens da assiduidade individual de cada jogador e eles foram habituados, esta época, a ser avaliados por isso. Os treinadores depois têm métodos de premiar quem é mais assíduo e mais trabalhador, etc. O envio dos vídeos, não é com o intuito de perceber se eles de facto fizeram os exercícios todos, mas para que os treinadores possam corrigir posturas, corrigir a forma como o exercício está a ser feito e também aí notamos uma grande evolução. Há diariamente uma análise feita pelos treinadores com o auxílio do video enviado por cada atleta.”


Como é que este processo pode ser importante para o trabalho de um treinador?
“É mais importante do que o que os treinadores estavam a prever. Porque estamos a dar-lhes o tempo que normalmente não têm para estudar muitas outras componentes. Todos estão envolvidos e empenhados no processo porque as circunstâncias acabam por dar-lhes mais tempo para eles estudarem e procurarem saber coisas desconhecidas para eles até ao momento.”

 


Quais são os escalões que estão a ser acompanhados?
“Neste momento só não estão a ser acompanhados os atletas do escalão de juniores. Também estão, na verdade, mas de uma forma gradual. Foram o último grupo a solicitar a nossa intervenção e estão a começar esta semana. De resto temos todos os escalões sendo que para além de mim, estão envolvidos o coordenador da formação e o professor Pedro Fernandes que é especialista nos escalões mais novos (bambis e minis). Estamos constantemente a controlar esse processo e também a informar os pais em relação às plataformas que devem utilizar. No fundo estamos a disponibilizar materiais para todos os escalões.”

 

Os pais

Os pais dos atletas do Xico Andebol também participam nesta nova forma de treino, assegurando a estabilidade do clube e apoiando as iniciativas dos treinadores, para que possam coordenar os treinos com os compromissos escolares.

Qual a reação dos pais ao vosso trabalho?
“Muito boa. Grande parte deles ainda não tiveram oportunidade de dar a sua opinião, devido às circunstâncias atuais, mas estão a aderir. De tal forma que temos um sistema de mensalidade e continuamos a funcionar a nível de pagamentos. Todos os pais foram avisados através do nosso sistema de informação e deixámos espaços para eles exporem dúvidas e não tivemos qualquer feedback negativo, pelo contrário. Muitas vezes, nos escalões mais jovens os atletas precisam do apoio dos pais e têm tido. Alguns fizeram mesmo questão de nos comunicar a agradecer pela forma como continuamos a trabalhar e não termos parado para permitir que eles possam continuar a fazer exercício. Alguns colocaram uma questão pertinente, que nós já tínhamos resposta, que era uma eventual sobrecarga devido aos compromissos escolares. Mas nós temos uma atitude de treino bastante intenso e alguns miúdos já treinavam três horas por dia, portanto, até lhes estamos a dar mais tempo de manhã e de tarde porque os treinos são mais curtos.”

 


Esta trabalho contribui para manter o equilíbrio emocional dos jovens? E em relação ao aproveitamento escolar?
“Sem dúvida. Não só na questão do comportamento e do aproveitamento. Nós fomos dos primeiros clubes a fechar, uma semana antes de acabarem as aulas já tínhamos cancelado todos os treinos e por isso já estamos a ter resultados vistos. Aliás, já alguns pais nos agradeceram porque consideram que isto é uma forma de os manter equilibrados, motivados. Depois ainda criámos algumas formas de passar outro tipo de mensagens, a necessidade de se exporem ao sol, ao ar livre nem que seja na varanda nem que seja 20 minutos por dia. Temos essas preocupações também com a saúde dos atletas e estamos agora a influenciar também a nutrição deles. Muitos pais têm referido que esta tem sido uma ferramenta essencial. Eu tive reuniões presenciais com os pais de alguns atletas, antes disto tudo começar, e sempre que eles nos propuseram castigar os atletas, pelo mau aproveitamento escolar, ao não deixá-los ir aos treinos nós dissemos sempre que não. Apresentamos exemplos semelhantes nos últimos anos e mostramos que o efeito, na maior parte das vezes é o contrário. Isso só piora a situação. Nós temos defendido isso e a nossa comunidade percebe-o. Retirar as rotinas de treinos aos atletas, na grande maioria dos casos iria gerar problemas.”

 

Estrutura organizativa

Mauro Fernandes esclarece sobre qual o procedimento organizativo que está a ser levado a cabo no seu clube e as vertentes que estão a ser colmatadas.


Como é que se tem organizado a equipa técnica do Xico Andebol neste período?
“Antes de atender o telefone até estava aqui a responder a um dos treinadores que se queixava de ter demasiado tempo livre agora e queria saber em que é que podia contribuir mais além do trabalho do grupo dele (risos). O que nós estamos a definir para uma segunda fase é complementar os trabalhos do preparador físico com exercícios desenvolvidos pelos próprios treinadores, não olhando tanto para a vertente física que já está a ser assegurada pelo preparador mas sim à vertente andebolística, com alguma criatividade. Alguns gestos, algumas fintas e sendo adaptado ao escalão treinado por cada um. Nós conseguimos com isto que nenhum escalão ficasse desenraizada das ideologias do seu treinador. Neste momento nós conseguimos resolver algumas debilidade que tínhamos durante o ano, quando não havia tempo para trabalho individual, e que hoje é perfeitamente possível.”

 


A Federação de Andebol de Portugal deve continuar a com os campeonatos suspensos em vez de os dar por terminados?
“Esta reação do clube, que também é passada aos atletas, tem muito que ver com a história do próprio clube. O Xico Andebol é, como se sabe, reconhecido como um clube de formação histórico e nasce a partir de uma equipa escolar que queria praticar desporto e, por conflito com o diretor, não lhe foi concedido um espaço para o fazer. E é aí que eles saem, formam um clube, criam um espaço e mais tarde criam um pavilhão. É assim que nasce o nosso clube. Portanto, o que nós estamos a viver agora é uma coisa idêntica, com as devidas diferenças obviamente. Há poucos símbolos que os nossos atletas respeitem mais, além da bandeira nacional, muito por causa da história. Por isso, nós temos o dever, perante os nossos atletas e a história do clube de reagir. Para nós não faz sentido decisões definitivas, essas decisões nesta altura parecem-nos sempre arriscadas e com um sinal negativo. Nós enquanto desportistas e lutadores, a mensagem que nós passamos de luta constante e de não desistir é contraditória com a decisão de anular as competições. Mês a mês, devagar, com iniciativas não devemos fechar a porta. Nem que fosse um mês de competição, não desistimos, combatemos e voltamos quando pudermos, seguindo regras. Por isso, acho que a suspensão era a única coisa que nós podíamos compreender.”

 


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